7 perguntas para o pediatra Daniel Becker: "Seu filho
deve aprender que não é o centro do mundo"
By Fabiana
Santos on Oct 19, 2015 04:55 pm
O pediatra Daniel Becker é
o criador da Pediatria
Integral: um conceito de que a criança precisa ser vista de
forma mais abrangente. Não é apenas tratar e prevenir doenças, mas cuidar do
bem estar emocional, social e até espiritual da criança e da família. São 20
anos de experiência de consultório no Rio de Janeiro. Formado pela UFRJ, ele é
especialista em Homeopatia e mestre em Saúde Pública. Médico do Instituto de
Pediatria da UFRJ, ele foi pediatra da Médicos sem Fronteira em campos de
refugiados na Ásia e fundador de uma ONG, o CEDAPS, Centro de Promoção da
Saúde, com atuação em comunidades carentes.
Becker é um apaixonado
pela profissão e conta que ao olhar sua trajetória se diz satisfeito pelas
escolhas que fez. Ele é separado, pai de dois filhos, um menino de 17 anos,
roqueiro, e uma menina de 20 anos, psicóloga. “Eles são muito bacanas. Tenho
muito orgulho deles”, diz o médico. Com tantos compromissos, entre palestras e
consultas, ele abriu gentilmente um espaço na agenda para responder às minhas
perguntas.
1.Na sua
palestra no Ted, você diz que um dos pecados contra
a infância é a "entronização". O que isso significa? Estamos
colocando nossas crianças em um trono?
A gente vive em tempos de
hipervalorização da infância tanto pela mídia quanto pretensamente pela família
e pela sociedade. Mas na verdade a infância é desvalorizada naquilo que ela tem
de real, na sua essência. Um dos fatores que explica esse paradoxo é a falta de
intimidade e de convivência entre pais e filhos por causa das questões da vida
moderna. E quando estão juntos, os pais não conhecem essas crianças, não sabem
lidar com elas. Estão estressados com os seus trabalhos, estão viciados nos
seus telefones e não querem também se submeter à desaprovação social de
uma criança que chora ou se comporta mal. Acaba que essa criança não tem
direito de se manifestar de forma negativa, que faz parte do comportamento
infantil. Ela não pode fazer uma birra, dizer “não”, chorar, explorar seus limites
de atuação no mundo. Como os pais não sabem lidar com essas situações, a
criança acaba tendo todos os seus desejos realizados, não lhe colocam limites,
não lhe dizem que ela tem que lidar com a frustração. A gente quer calar a
qualquer custo o mal estar. Então para parar com o chilique, a gente acaba
cedendo. Ao invés de aprender as regras de convivência, a criança passa a ser
uma rainha que dita as normas, os programas, os horários.
2.E o pecado que você
chama de “superproteção da infância”?
A superproteção é impedir
que as crianças tenham suas próprias experiências. A gente está presente o
tempo todo, aquilo que os americanos chamam de “helicopter parent”, pais que
ficam flutuando em torno das crianças fazendo com que elas não tenham a
experiência do mundo, justamente porque os pais se interpõem entre o mundo e a
criança. Elas ficam impedidas de lidar com o risco, com a aventura, com as
relações interpessoais, com os problemas da escola, com a dor, com os
machucados. Se a criança tem um problema com uma outra criança, os pais se
interpõem para resolver a questão, no playground não deixam ela se arriscar a
subir mais alto no trepa-trepa. É claro que ninguém quer que o filho quebre um
dedo ou receba um ponto, mas são experiências da infância. A criança tem que
ter a experiência do risco, do machucadinho e da frustração. Outra coisa muito
grave é que para evitar os perigos do mundo, as famílias ficam muito em casa,
se expõem pouco à natureza, as praças e as praias. Os riscos desses lugares
existem e temos que lidar com eles, pois fazem parte da vida.
3.Qual o prejuízo real
para crianças que não sabem ouvir a palavra “não”? O que vai ser (ou já está
sendo) dessa geração sem limites?
Eu já vi criança dormindo
às duas da manhã, já vi criança de dois anos que comanda o que tem na geladeira
e no armário da despensa. Outras que determinam o programa da família nos fins
de semana, se elas não querem sair, ninguém sai. Pais que deixam a criança
de 3 anos ficar horas na televisão porque não sabem desligar o aparelho e
deixar ela ficar frustrada. Criança que come o biscoito ao invés da comida, que
ganha o presente depois de ter se jogado no chão do shopping. Isso tudo causa
um prejuízo enorme, tanto na qualidade de vida dessa família, quanto na psiquê,
na emocionalidade dessa criança. Ela precisa saber que a sua vida tem limites,
que a sua influencia tem limites, que o mundo não gira em função do seu umbigo.
Muitos meninos e meninas dessa geração vão levar isso para a vida adulta e não
só terão dificuldades de convívio como vão quebrar a cara nos seus ambientes de
trabalho e em relacionamentos interpessoais. Porque nem sempre a vida vai
acolher esse tipo de onipotência que é resultado de uma educação cheia de
falhas nesse sentido.
4.A culpa que os pais
carregam é a grande vilã nessa história?
Eu tenho muito medo da
gente restringir a questão à responsabilidade da família. A família é
responsável sim, tem que saber lidar com a frustração, o choro, as emoções
negativas da criança, tem que saber mostrar a ela que esses momentos passam,
que estas situações vão deixar ensinamentos importantes. Os pais sentem culpa
porque não estão presentes na vida dela e quando estão juntos querem dar coisas
demais. A gente briga com essa história de dar presente, ao invés de dar
presença. Muitas vezes o tal “deficit de atenção” é deficit de atenção de
pai e mãe que a criança sofre. Mas a gente tem que justamente tomar muito
cuidado para não piorar isso dizendo que os pais são os culpados porque o que
leva a tudo isso é a vida moderna, é a perda de referências, é a falta de
capacidade de aprender com as gerações anteriores, com a experiência dos
outros, é a invasão do tempo de trabalho e do tempo de entretenimento no tempo
em família, é o vício do smartphones. Tudo isso tem que ser pesado na compreensão
desse fenômeno da entronização e da superproteção da infância, a gente não pode
restringir a responsabilidade e nem as soluções apenas a nível familiar.
5.A justificativa sincera
de muitos pais é de que eles fazem o melhor que podem, trabalham o dia todo,
batalham para dar conforto aos filhos, chegam exaustos em casa. É até mesmo
controverso: as pessoas querem ter filhos mas não conseguem ter tempo de
conviver com eles. Como resolver este impasse?
As pessoas querem ter
filhos e imaginam que tudo vai ser um mar de rosas. Elas têm que ter
consciência de que vão ter filhos neste mundo em que vivem: nas grandes
cidades, muitas vezes com a falta de presença de familiares, com trabalhos que
demandam excessivamente, com transporte que fazem elas chegarem tarde em casa,
isso tudo tem que ser incorporado por um casal quando eles planejam filhos.
Planejar ter filho é ver o futuro. Claro que a maioria das pessoas não faz
isso, a gente quer ter filho, a gente quer reproduzir a nossa própria genética,
isso faz parte de um mandato biológico. Mas hoje em dia a gente tem que pensar
nas condições de vida que essa criança vai nascer e como nós vamos dedicar o
nosso tempo a ela. Isso faz parte da responsabilidade de um casal. É preciso
planejar a carreira, o local de trabalho para que a convivência familiar seja
maximizada, para que a criança cresça com a presença dos pais, dos avós, tios,
primos. Escolher um lugar para morar com natureza por perto. De novo a gente
não pode reduzir a solução deste impasse a nível da família, a gente tem que
tentar pensar na sociedade como um todo. A sociedade brasileira é
insegura, desigual e cheia de problemas e isso influencia nas condições de vida
das famílias.
6.O video americano “Childhood is not a mental disorder” já deu o que
falar sobre o uso exagerado de remédios em crianças para controlar “doenças do
comportamento”? Você concorda que é preciso ter muito cuidado com os
diagnósticos?
Eu gosto muito desse vídeo
e ele traz mesmo uma dimensão terrível do que a sociedade está fazendo com a
infância. O mercado pressiona a família por soluções fáceis, todo mundo quer
resolver os problemas imediatamente. A energia da criança está sendo reprimida.
É claro que o comportamento dela vai ser muito afetado por todas as questões
que eu já citei, podendo se rebelar, ter insônia, desatenção, brigar na escola,
ser impulsiva. Em vez da gente repensar como oferecer a estas crianças uma
infância melhor, mais saudável, mais verdadeira, o que o mercado propõe é que
elas sejam medicalizadas. A indústria de diagnósticos e de remédios é
monstruosa e crescente. No Brasil, a Ritalina é o principal remédio usado para criança.
Em 10 anos a venda de Ritalina subiu de 75 mil caixas para 2 milhões de caixas.
O Ministério da Saúde agora está estabelecendo uma regulação para a venda do
remédio. A gente não pode negar que essas doenças existem, o TDAH (Transtorno
de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma doença grave, mas ela atinge
um pequeno número de crianças. A grande maioria desses diagnósticos está sendo
feita de forma arbitrária, sem critério suficiente, eu diria até perversa.
É preciso mudar o comportamento da família ou ir para psicoterapia,
terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, que são benéficas para este
tipo de problemas e poderiam ser tentadas antes e de forma mais eficaz. Porque
o remédio vai ter efeitos colaterais, vai rotular esta criança, como o video
expõe muito bem, vai colocar na cabecinha dela que ela é apenas um transtorno e
não uma criança que tem potencialidades múltiplas e possibilidades infinitas
para o seu futuro. Tem a historia de uma mãe que levou a filha ao pediatra
porque achava que ela tinha problemas e o pediatra deixou a criança com uma
música e saiu da sala por alguns minutos com a mãe. Eles ficaram observando a
criança do lado de fora, enquanto ela dançava o tempo todo. E o pediatra disse:
“Sua filha não tem um problema, sua filha é uma bailarina, leve-a para uma aula
de ballet e vão ser felizes”. Gillian Barbara Pyrke, a menina da
historia, se tornou uma famosa coreógrafa da Broadway. Quantos gênios,
artistas, cientistas nós não estamos perdendo medicando e rotulando essas crianças?
7.Quais as suas dicas para
criarmos “crianças como crianças”?
Acolher as crianças nas
suas emoções. Especialmente as crianças pequenas têm uma racionalidade limitada
e uma emocionalidade muito grande. Se ela está com raiva, você pode dizer pra
ela “você está com muita raiva”. E mostrar de forma teatral o que está
acontecendo com ela, fazê-la entender o sentimento que ela está tendo e dar
permissão para ela sentir essas emoções, tanto negativas quanto positivas.
Acolher também os desejos: “você quer esse brinquedo, eu sei que você quer
muito ele, eu te entendo, mas a mamãe não pode comprar ele agora”. Isso quebra
um pouco esse mecanismo da birra. Ter convivência com os nossos filhos,
oferecer a eles oportunidades de conversa, de refeições em família, de sair na
rua juntos, brincar nos parques, subir no trepa-trepa, ralar o joelho no chão,
cair do skate (com capacete!), subir numa árvore, levar um zero, aprender com a
frustração. Tudo isso é importante para formar uma criança mais feliz e um
adulto mais íntegro, preparado para conviver com o outro. Pra saber respeitar o
outro a primeira coisa que a criança tem que entender é que ela não é o centro
do mundo. Ela é um membro da família e ter relações igualitárias com os outros
membros da família vai fazê-la entender que ela vive numa sociedade. Esse é o
nosso papel como pais.
Meu
filho bate, ou apanha, e agora?!
Meu
filho bate, ou apanha, e agora?!
Há momentos difíceis em
que ficamos muito aflitos como pais, seja porque nosso filho está batendo nos
amigos, seja porque está apanhando de algum colega de classe.
A primeira coisa a ser
feita é garantir que a violência, seja ela física ou emocional, não aconteça
dentro de casa. Com isso, nossos pequenos desenvolvem a habilidade de resolver
conflitos por meio do diálogo e da expressão corporal. Quando a violência
acontece dentro de casa a criança conta com o exemplo dado pelos pais, que no
momento do descontrole aproveitam-se do tapa como forma de resolução dos
problemas. Este exemplo a criança também leva adiante na resolução de seus
conflitos e, quando se veem sem saída, resolvem seus problemas da mesma maneira
que os adultos, na base do tapa.
Por isso é
imprescindível que a violência não aconteça de forma nenhuma por parte dos
pais. Ao perceber sua irritação interrompa a ação, pois nada mais do que
acontecer será proveitoso, educativo ou amoroso.
Até aproximadamente os
três anos de idade o tapa ainda pode “escapar” de uma criança para outra, até
porque seu repertório verbal para sua argumentação ainda está em
desenvolvimento. A partir dos quatro anos a criança já possui alguma condição
interna para em situações difíceis comportar-se de outra forma e, caso o
conflito prossiga, pedir ajuda a um adulto. O que faz uma criança construir
esse caminho é a relação de presença e aprendizado que possui com seus pais,
familiares e professores que desde sempre auxiliam na construção diária da
noção de causa e consequência, ou seja, aprendem que toda atitude traz um
resultado e que ela é responsável pela escolha de suas atitudes.
A criança pequena pode
ser convidada, no momento em que dá o tapa, a olhar para o irmão ou amigo
atingido e começar a construir este olhar para o resultado de sua ação. Vê-lo
triste e poder, de alguma forma, se redimir e ajudar a cuidar do outro são
ótimas opções na construção desta relação. Mas não podemos esquecer de que
quando a manifestação de carinho ocorre espontaneamente também devemos mostrar
para os pequenos o resultado desta ação – o outro feliz e satisfeito com tal
atitude.
Quando crianças já com
quatro ou cinco anos de idade continuam a bater é que o problema surge e deve
ser analisado. Nesta fase as relações horizontais, ou seja, entre os iguais,
têm tanta relevância quanto as verticais. Neste momento as amizades surgem com
muita força e aquele que bate começa a sofrer o resultado real de tal atitude,
a dor de não ter amigos. O perigo deste momento é que devido à construção,
desde pequeno, deste comportamento, provavelmente os pais e até mesmo a escola
pensam que este menino (a) é agressivo, fazendo deste comportamento uma
característica da personalidade desta criança. Provavelmente o que pode ter
ocorrido foi um não-desenvolvimento deste caminho para a construção do olhar e
encontro com o outro. Por isso vejo esses comportamentos como um grande pedido
de ajuda, já que as crianças inteligentes como são e necessitadas do reconhecimento
do adulto , quando percebem que mesmo negativamente têm a presença, mantém o
comportamento pois a recompensa do olhar vale mais do que qualquer outra coisa.
Neste momento muitas
coisas acontecem: os pais daquele que bate ficam desesperados (o mesmo acontece
com os pais do que apanhou) e a escola, no meio deste embate, busca atravessar
a tempestade muitas vezes atendendo aos pedidos de retirar esta criança da
classe ou até mesmo da escola. Com este gesto aquele que já estava considerado
como agressivo tem o carimbo da escola e dos amigos como tal. Certamente,
poderá ir para outra sala ou mesmo outra escola e nada mudará até que um dia
esse menino, talvez junto de sua família, estará no sótão da vida.
Por outro lado saber que
um filho apanha na escola não é agradável, e principalmente não é aceitável,
afinal de contas as crianças estão na escola para aprender muitas coisas
inclusive aprimorar a capacidade de se relacionar. Ensinar um filho a se
defender da forma correta faz parte da educação para conviver neste mundo. Mas
como será esse direito de defesa? Primeiro a criança tem que saber que ninguém
pode agredi-la tanto física como moralmente e que ela obviamente também não
pode fazer isso com ninguém. Depois ela tem que aprender a se defender com suas
palavras, seu olhar e até mesmo fisicamente, mas apenas segurando o braço ou
perna daquele que pretende lhe machucar. Em casos assim a escola pode agir de
forma cuidadora ao colocar a presença de mais um adulto cuidando e zelando pelo
bem-estar físico de todas as crianças.
Acredito que a
participação da escola em parceria com os pais seja imprescindível neste
momento e, como acompanho constantemente no consultório, vejo que a
reconstrução do olhar dos pais, seguido pelos professores, traz novas
possibilidades a esta criança que pode então SER quem ela é e demonstrar isso
com novas atitudes. Quando se manifesta um novo posicionamento, novos olhares
são restabelecidos e novas relações podem ser construídas, principalmente da
criança com ela mesma. E com tudo isso constrói-se novos encontros entre
crianças, entre pais e filhos, entre amigos, levando a todos a chance de novas
escolhas e novos resultados.
O
Caminho dos Combinados!
O Caminho dos Combinados!
A cada dia que passa
vejo mais famílias resolvendo seus impasses por meio de conversas e construção
de combinados. Mas afinal de contas o que são os combinados e porque trazem
tantos resultados?
Acompanhar uma família
que passa por imensas dificuldades e ver surgir combinados para lidar com os
desafios tem sido uma experiência marcada por presenciar a vontade de promover
o encontro com o outro, com o amor e principalmente com o respeito.
Quando oferecemos nossa
palavra a uma criança – ao combinarmos algo com ela – recebemos sua palavra de
volta, reafirmando o combinado. Esta atitude potencializa a criança para que
ela se dê conta, e o adulto também, do quanto é importante nesta relação. Com o
tempo os pequenos passam a considerar o que foi combinado e tudo passa a fluir
de outra forma, até porque eles podem também propor combinados.
Estamos falando
claramente em reciprocidade, ou seja, um indivíduo autônomo que está
desenvolvendo valores internos nesta relação e que com o seu crescimento começa
a agir por mandatos internos e não mais externos. Esta pessoa passa a ter
atitudes de consideração não somente para atender a um pedido externo, mas sim
por perceber que a vida com respeito, amor e confiança pode ser um verdadeiro
presente.
A construção destes
combinados pode começar com crianças ainda bem pequenas, a partir dos dois anos
de idade. Obviamente que, conforme o crescimento da criança, mais fácil fica
este combinado, principalmente se todo este caminho for percorrido com muito
amor e respeito.
Muitos pais e mães
confundem os combinados com o ato de deixar a criança fazer o que quer ou ser
vista como um adulto, numa relação igualitária. É importante deixar claro de
que neste momento esta igualdade ainda não é possível e somente será permitida
se esta fase ainda hierárquica for vivida com muito respeito ao fazer os
combinados. Esta relação recíproca acontecerá gradativamente conforme a criança
amadurece, mas as etapas precisam ser vividas no seu devido tempo.
Com os combinados
podemos entender que nós pais temos muito a ensinar às crianças, que sem esta
atenção e este amor não conseguem seguir em frente, mas também podemos
compreender que nossos pequenos têm muito a nos ensinar.
Combinar, propor um
caminho e ouvir a proposta do outro significa considerar o outro numa
construção importante, diária e repleta de presença. As crianças farão o que
pedimos, mas o que muda é que, em vez de darmos ordens, consideramos as
crianças na construção de cada ação, de cada atitude!
Qual a diferença? Estar
junto e vivenciar cada situação, além de ser mais fácil, resultam para cada
integrante da relação sua responsabilidade nesta construção tão única e
especial que marca a vida de todos nós!
Relação de Respeito
Relação
de respeito
“Construir uma relação na qual o respeito
esteja sempre presente”. Acredito que esse é o nosso maior objetivo com relação
a nossas crianças. Mas quando me refiro a isso falo do respeito mútuo, que traz
a possibilidade de viver a reciprocidade.
Ao considerarmos nossos pequenos como
indivíduos e como crianças, com características e necessidades particulares,
podemos escutá-las de outro lugar. Talvez não mais como adultos, que veem no
mundo da criança situações menos importantes, e sim como seres humanos com quem
nos importamos e estamos absolutamente atentos às informações e necessidades
apresentadas.
Todo mundo já se deparou com as situações que
descreverei agora. Muitas vezes confundimos determinadas atitudes das crianças
com desobediência. Muitas vezes, quando pedimos algo para as crianças,
esperamos que o mesmo seja atendido imediatamente e, caso isso não aconteça,
chamamos a atenção delas ou ficamos irritados. Como seria, nesse momento, se
ouvíssemos nossos filhos? Pode ser que naquele exato momento eles estivessem
vivendo uma necessidade extremamente particular. Por que então não buscar novos
caminhos?
Com esse novo olhar, a criança percebe que sua
existência é importante dentro de casa. Esse respeito, todavia, não pode ser
confundido com algo semelhante ao ato de “deixar a criança fazer tudo o que
quer”. A construção viva desta relação de respeito implica em perceber a linha
tênue entre essas duas situações. A construção do respeito é uma etapa muito
especial que necessita de atenção e intenção diárias. Há três posturas muito
importantes nesse caminho:
1) Coerência na forma:
se num dia gritamos, em outro mantemos um diálogo e em outro não fazemos nada,
a mensagem chega de maneira confusa e com muita possibilidade de que volte a
acontecer. Quando somos coerentes e atuamos de forma positiva as crianças sabem
o que, quem e como encarar neste momento de crescimento.
2) Constância:
sempre devemos corrigir comportamentos inadequados, mesmo que estejamos
cansados, sem vontade ou sem tempo para todo o processo de correção. Isso leva
as crianças a perceberem e a distinguirem um comportamento adequado de um
inadequado.
3) Construção da noção
de consequência: quanto mais pudermos fazer com que as crianças vivenciem que
toda ação tem uma consequência, mais os prepararemos para uma vida com total
condição de escolha interna. A vivência da consequência substitui o famoso e
tão aplicado castigo que, em vez de ensinar, é pontual e de efeito punitivo,
acompanhado por uma grande carga de irritação. A consequência carrega em sua
intenção amor, ensinamento e construção.
Viver a reciprocidade significa que o
reconhecimento como SER existe e que os encontros carregam em si, a cada dia,
mais respeito pelo SER único que ali se apresenta.
CRIANCAS AGRESSIVAS
As
crianças têm, normalmente, um forte desejo e estão aprendendo o não, o próprio
corpo, as próprias emoções, a presença do outro. Aprender tudo isso faz parte,
é seu desenvolvimento esperado, porém, muitas vezes a raiva é um sentimento que
aparece como parte desse processo. A agressividade é uma forma de comunicar
esse desconforto. A agressividade não é intencional , é apenas uma resposta
natural a esse desconforto. Tenho me preocupado com o quanto nós adultos temos
ficado assustados com esse comportamento. E quando ficamos assim, saímos em
busca de respostas e do saber . Meu filho é agressivo? Tem algum problema?
Quando isso acontece , quando consideramos a agressividade característica da
criança e não mais fase de desenvolvimento de alguém em formação, ou um estado,
a criança começa a ficar presa a esse rótulo e a família também. Algo
importante ainda se soma a esse processo. No nosso aprendizado diário de
dizermos “não” para nossos filhos, as crises de birra se tornam mais
frequentes, os acessos de raiva mais fortes e muitas vezes cedemos às birras, à
agressividade para que a criança se acalme. Quando abrimos mão de sermos margem
do rio, de sermos o leme do barco e seguirmos no ensinamento natural da frustração
, do sim, do não , do outro, do cuidado com o próprio corpo, alimentamos esse
ciclo do desejo, seguido da agressividade quando algo não acontece da maneira
esperada pela criança. Termos consciência desse desenvolvimento, do processo de
crescimento contido na experiência da espera, do não e de tantos outros
momentos importantes, nos tira do medo e nos coloca novamente ativos como
educadores, como aprendizes de qual é o próximo passo fundamental para a
criança e a família como um todo. Vale a pena experimentar ! Vale a pena viver
! http://www.daniellafaria.com.br/artigos-conversa-com-crianca/criancas-agressivas/
Comportamentos
Irritantes
Por DANIELLA FARIA |
Publicado:11 DE MARÇO DE 2015
Conversa com Criança
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shutterstock_98814032Retomando
a ideia da família como um grande time me faz refletir sobre o quanto
considerar certos comportamentos irritantes por parte das crianças algo
isolado, que pode ser nosso grande equivoco. Ou seja, podemos antes verificar o
quanto nosso estado interno interfere nesse sistema familiar vivo, em constante
movimento. Se estamos bem, descansados, uma farra em casa pode ser motivo de
alegria, mas, quando chegamos em casa cansados, o mesmo comportamento pode nos
irritar. Podemos olhar o mesmo comportamento como irritante ou não. Isso nos
faz repensar essa nomeação que, muitas vezes, fazemos de forma objetiva –
comportamento irritante – o que nos traz a responsabilidade sobre esse sistema
e sobre como nos comunicamos dentro dele. Podemos nos perceber em primeiro
lugar para depois. Através da comunicação nos encontrarmos e nos transformarmos
numa família time, numa família que joga junto, que cuida dessa harmonia em
parceria. Assim trazemos o valor, a importância de todos para essa harmonia.
Todos precisam fazer a sua parte. As crianças e adultos se aproximam nessa
importante aprendizado do que é coletividade, respeito e convivência. Assim, é
possível seguir no fluxo vivo da vida em família. http://www.daniellafaria.com.br/artigos-conversa-com-crianca/comportamentos-irritantes/
Empatia pra dizer o não
Por DANIELLA FARIA |
Publicado:25 DE MARÇO DE 2015
Conversa com Criança
108 [ 7:08 ] Hide Player | Play in Popup | Download (2927)
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shutterstock_52687903Para
dizermos o “não”, muitas vezes, começamos uma grande briga, uma grande
confusão. Isso se arrasta por um tempo e vamos juntos com as crianças entrando
numa grande dificuldade de comunicação. Quando entramos na empatia com o desejo
que se apresenta, normalmente dizer o “não” se torna algo mais fácil para ser
dito e também para ser ouvido. Isso acontece porque cuidamos melhor de como
dizemos esse “não”. As crianças ainda estão aprendendo a ouvir “não” e, ao
termos empatia com esse processo, podemos ir para um lugar de acolhimento para
olharmos para esse momento. Reconhecer o desejo é um passo de reconhecimento
que legitima o desejo e o “não” que vem em seguida pode ser melhor
compreendido. Saímos do embate, cuidamos de onde dizemos os “nãos”, acolhemos e
podemos caminhar de maneira mais amorosa e respeitosa. É nesse colo que a
criança terá melhor condição de aprender a frustração, sustentar o não. Assim
poderemos compartilhar e aprender juntos, dia após dia.Com carinho http://www.daniellafaria.com.br/artigos-conversa-com-crianca/empatia-pra-dizer-o-nao/
Bater
Por DANIELLA FARIA |
Publicado:8 DE ABRIL DE 2015
Conversa com Criança
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Conversa com Criança 110 Download (55)
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shutterstock_185172653Hoje
vamos falar mais uma vez sobre o Bater agora sobre alguns novos aspectos. O
primeiro deles é a importância refletirmos sobre como ficam os adultos quando
usam do tapa como forma de correção. Normalmente sentem-se muito mal, chateados,
tristes, culpados e arrependidos. E desse sentimento genuíno e legitimo surge
um pedido de desculpas. As crianças costumam ficar muito confusas e muitas
vezes as crianças passam a ver os adultos de maneira mais frágil em sua
consistência interna. Entende que aquele que se descontrola, age assim , depois
se arrepende , pede perdão e , com isso mostra esse ciclo , essa fragilidade ao
não lidar com determinadas situações de outra forma mais construtiva. Nosso
desafio é estar perto , próximos , ajudá-los com firmeza , com amor mas nunca
com agressão. Porque a violência afasta a criança , gera medo ou até ensina a
criança a lidar com suas questões da mesma maneira. Atitudes construtivas ,
constroem o próximo passo do caminho. Atitudes que nos despedaçam por dentro
provavelmente fazem o mesmo com aquele que recebeu tal ação. Estamos todos
(Brasil, França, o planeta) caminhando na direção de melhorarmos como pais e
mães e esse é um dos maiores aprendizados , o maior dos desafios, a maior das
alegrias. Falarmos sobre isso , é nos abrirmos para a mudança que em si traz
movimentos novos e novas perspectivas. Que bom! http://www.daniellafaria.com.br/artigos-conversa-com-crianca/bater/
Combinados que ajudam
Por DANIELLA FARIA |
Publicado:23 DE ABRIL DE 2014
Conversa com Criança
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shutterstock_127810610Combinar as coisas com as
crianças é sempre um ótimo caminho. Esse assunto já é bem conhecido. Quando
combinamos algo, a criança deu a sua palavra e os adultos também. Isso faz com
que no momento necessário , o resgate
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